30.6.08

King Solomon



Lembro-me de ter lido algures qualquer coisa sobre o paradoxo que era haver, por um lado, o rock'n'roll e toda a mitologia a ele associada (live fast, die young) e, por outro, termos A banda de rock'n'roll por excelência (os Rolling Stones) ainda a tocar. De qualquer das formas, lá resolveram a questão lembrando os velhos bluesmen que tocavam até morrer e que Jagger, Richards e Companhia não eram senão bluesmen. Não fiquei muito convencido em relação ao caso específico dos Stones mas a ideia ficou.

No Sábado, em Loulé (Festival Med), fui ver aquele que será talvez o último dos grandes bluesmen. É certo que não toca guitarra nem harmónica e as músicas dele não começam com um "woke up this morning". É certo que, musicalmente, tem muito mais de soul, gospel e mesmo rock'n'roll do que blues (embora eles lá estejam). É certo que quando lembra outros grandes companheiros de caminho, fala de Ottis Redding, Sam Cooke, James Brown e até Bo Diddley e, de nomes dos blues, nem um. É certo que não tem propriamente uma imagem rural ou humilde, antes, declara orgulhosamente os incríveis números da sua descendência, senta-se num luxuoso trono, tem pessoas para lhe limparem o suor da testa, para lhe pôr e tirar o casaco, para lhe agarrar nos óculos, para lhe antenderem a todos os desejos. Tudo isto é verdade e, no entanto, repito que vi um dos últimos grandes bluesmen.


Banda pronta, cuidadosamente disposta no minúsculo (para uma banda de 12 elementos) palco: trompete, saxofone, saxofone baixo, bateria, baixo (prodigioso), órgão, piano, dois violinos e duas cantoras. Ao centro, o trono do rei. O baixista dá ordem e a banda entra num ritmo soul desenfreado e a expectativa aumenta. Um ou dois minutos depois, numa cadeira de rodas que heroicamente aguenta os seus 240kg, entra Solomon Burke. O lento processo de passagem da cadeira de rodas para o trono transmite a imagem de um homem debilitado e alguém no público diz: "eles deviam fazer isto longe do público...". Mas não, não deviam fazer "isto" longe do público, mais tarde, Burke explicou que tocaria mundo fora enquanto tivesse vida e, assim que se senta no trono, torna-se, de facto, num rei.


O concerto arranca e Burke usa (e abusa) da extraordinária e competentíssima banda, troca-lhes as voltas, pede bridges fora de tempo, repete versos, repete refrões, acelera, abranda, improvisa, muda de música a meio de outra, pede solos, alarga instrumentais para que os coros possam distribuir rosas pelo público... Solomon Burke, também ele, competentíssimo, dá um concerto como se fosse uma banda de garagem, como se ainda tivesse tudo a provar. O alinhamento está recheado de clássicos soul e rock'n'roll (Burke parece, aliás, particularmente melancólico ao lembrar e honrar aqueles que já morreram e que o deixaram com o pesado fardo de ser o último dos grandes): Sitting on the dock of the bay, Stand by me, I will survive, Spanish Harlem, Only You, What a Wonderful World, Proud Mary, Good Golly Mish Molly, See See Rider, Tutti Fruti, e, claro, Cry to me, Everybody needs somebody to love, Down in the Valley, That's how I got to Memphis, Diamond in your mindm uma explosiva e arrebatadora versão de Don't give up on me entre outras. Ali no meio da festa, Burke chama o público ao palco e tudo se transforma numa única festa e, embora a maior parte das pessoas que ali estavam nunca terem ouvido falar neste homem, toda a gente sabe que está perante um dos maiores de sempre. No fim, à semelhança do início, a banda continua desvairada enquanto, a custo, Burke desce do trono e volta à cadeira de rodas no mesmo lento e penoso processo. Desta vez, já ninguém se queixou porque estava toda a gente a dançar, demasiado ocupada a apreciar aquele momento proporcionado pelo senhor de 240kg que se sentava agora na cadeira de rodas.

27.6.08

Preguiça a mais, até para roer as unhas...

21.6.08

Finalmente, férias...

20.6.08

Solomon Burke - 27 de Junho (Loulé)



Será que consigo lá ir?... Solomon Burke, Bob Dylan, Neil Young, Bruce Springsteen assim num intervalo de menos de um mês... Não sei se o meu coração aguenta. Nem a minha carteira...

19.6.08

Parabéns, ó gordo!


18.6.08

Lua

Viu a lua cheia e correu atrás dela. Correu durante dias e, da lua, via-se cada vez menos. Corria mais depressa mas a lua continuava a desaparecer. Exausto, num rasgo de esperança, deu um último salto, esticou o braço, tentou agarrar a lua mas ela desapareceu completamente. Desesperado, conseguiu ainda acabar com a própria vida sem sequer suspeitar que a lua voltaria a aparecer no dia seguinte.
E, no entanto, talvez tenha sido pelo melhor porque, por muito que corresse, dificilmente lá chegaria.

17.6.08

Coesão ou Alienação?

Vi ontem, no Público, o título do Prós e Contras que iria para o ar no mesmo dia: "Coesão ou Alienação?". Devido a constrangimentos laborais, não consegui estar em casa a tempo de apanhar o começo mas, assimque cheguei a casa, liguei a televisão na RTP1. Não falavam do Tratado de Lisboa como eu pensava que iriam fazer, falavam de futebol.

16.6.08

Ainda a Irlanda

Agora empurram o problema de um lado para o outro. Dos lados continentais ouve-se dizer que a Irlanda tem que decidir o que vai fazer, dos lados insulares a Irlanda, coitada, vai respondendo como pode. Gostava de saber se, tratando-se da França, o caso sería idêntico. A julgar pelas diligências tomadas depois do chumbo francês à constituição...

14.6.08

The Wonder Years II


David, el gnomo


Lucky Luke


Alf


Manimal


Family ties


A volta ao mundo de Willy Fog


He Man


Era uma vez... o Espaço


As fábulas da floresta verde


Yakari

The Wonder Years

Por que sou contra o Tratado de Lisboa

Primeiro temos as questão da forma que não é de menor importância. Todo o processo tem sido marcado pela falta de democraticidade das decisões. Desde a elaboração do original documento constitucional à velhaca estratégia de fazer aprovar o cosmeticamente melhorado Tratado de Lisboa através dos parlamentos nacionais, uma pequena elite tem tentado afastar este projecto dos cidadãos. Esta tendência tornou-se muito mais evidente a partir do momento em que o "não" começou a ganhar referendos. Que legitimidade terão agora os parlamentos para fazer aprovar um projecto de natureza igual ao da Contituição? Pior: que legitimidade terão agora os parlamentos dos países que votaram "não" no referendo para vir agora dizer que, afinal, "sim"? Daí que seja uma grande vitória ver o "não" a ganhar no único país onde não foi possivel retirar o poder aos cidadãos: no fundo, os irlandeses votaram por todos os europeus a quem lhe foi retirado esse direito.
Não tenho formação jurídica, daí que os motivos formais relativos à falta de democracia me sejam mais caros, no entanto, ao nível do conteúdo também tenho problemas com este Tratado: porque não atribui à União Europeia a capacidade de ter um papel alternativo ao dos EUA no que diz respeito às relações internacionais, porque retira poder decisório aos pequenos Estados e, ao mesmo tempo, submete-os a uma desproporção de poder em relação aos grandes Estados, porque nivela por baixo a questão dos direitos sociais e não serve de força promotora e vanguardista no que a isto diz respeito.
Sou contra este Tratado porque sou europeísta e porque acredito numa Europa democratizante e que, por isso, seja mais democrática que as partes, porque acredito na Europa como potência mundial capaz de promover políticas diferentes daquelas que têm sido levadas a cabo pela OTAN e pelos EUA. Sou contra este tratado porque tenho esperança numa Europa que seja o motor de mudanças respeitando e promovendo os direitos dos seus cidadãos.
Por este caminho, vamos mal... Resta-nos aguardar pelas decisões que se seguem. Qual será a reacção ao chumbo irlandês? Um passo atrás ou um descarado passo à frente?

13.6.08

Caeiro

Porque ha de ser isto falso? Falso é fallar de infinitos...

Vitória no Europeu

Felizmente e, é certo, à custa de muito populismo, muita demagogia e muita ignorância, ganhou o Não. 53,4%pelo não é o resultado do único referendo realizado no espaço europeu. Fico contente mas não me parece que o futuro seja risonho, isto não é gente de desistir às primeiras. Fica, no entanto, a satisfação de ter visto o Tratado de Lisboa chumbado no único país em que foi impossível fugir ao referendo . Fica também explicado pelos factos porque é que a via democrática é a única via possivel no que toca à elaboração e/ou aprovação de uma tratado desta natureza. É necessário incluir os cidadãos no processo e não excluí-los como vergonhosamente se tem feito.
Constituintes já!
P.S. - O tom de comício passa já, ok?

Cedências

É preocupante que o governo não tenha seguido a velha máxima de não negociar com terroristas. É que ao ceder perante os camionistas abriu um perigoso precedente: não ouve grevistas mas ouve a tende aos pedidos de terroristas à custa do nosso dinheiro.
Obrigadinho, senhor Primeiro-Ministro!

12.6.08

Ir-lan-DA!!! Ir-lan-DA!!!


11.6.08

Sim, mas qual?

Eu só fico preocupado por não ter sido especificada uma raça em particular. Pessoalmente, devido à proximidade com esta raça desde criança, gostava que o dia do boxer mas podería ser de uma outra qualquer que eu tenho um espírito muito aberto nestas coisas.
Só não me venham com um dia do caniche.

América Latina II

São muito pobres mas é gente muito simpática!

Postal

- Escassez de combustíveis
- Futebol
- Escassez de alimentos
- Futebol
- Calor
- Futebol
- Greves
- Futebol
- Apedrejamentos
- Futebol
- Camiões incendiados
- Futebol
- Manifestações
Assim de repente só falta um destacado estatista (sei lá, tipo, o Presidente ou assim...) mandar assim uma bojarda racista ou coisa do género e, zás!!, estamos na América Latina.

5.6.08

Promessas

Lembro-me. Poesia, teatro, arte, escrita, criatividade. Promessas de uma vida inconcretizável. Assim me ensinaram a ser pessoa professores que foram parvos ao ponto de me fazer acreditar que tenho, de facto, valor. Talvez quisessem que eu vivesse o que a eles era impossivel de viver ou talvez fossem ingénuos. De qualquer das formas ainda bem que o secundário já lá vai e que esta tareia me tem feito esquecer rapidamente esses tempos em que ainda acreditava nas minhas próprias promessas.

Avaliação

Deficiências graves ao nível do vocabulário automobilístico (tuning), futebolístico (Euro2008) e sexual (gajas).
Resultado: Incapacidade social.

3.6.08

I walked 47 miles of barbed wire



"I got a tombstone hand and a graveyard mind,
I lived long enough and I ain't scared of dying."

Sem Bo Diddley não teria havido grande parte da música popular que hoje conhecemos. No que me diz respeito mais directamente, nunca teria escrito a música "Jesus saves" se Bo Diddley não tivesse existido. Que descanse em paz.